quarta-feira, 19 de agosto de 2015

‘Alemanha é a nova “dona” de 14 aeroportos gregos’ é título que não quero ler no Expresso

Este post não ataca o Expresso, é a reacção de um leitor que exige ao Expresso textos isentos de preconceitos. E exige porque quer o Expresso a ser jornal de referência que tem de continuar a ser. 

O título e o texto da notícia só são o que são porque a empresa leader do consórcio ganhador é alemã e porque a jornalista privilegiou a sua opinião sobre a pesquiza dos factos e redacção do texto. 

Fora a Vinci ou a Aéroports de Paris a ganhar o concurso e tudo seria diferente, o que até aceito em amigos de esquerda e acho normal na pirotecnia politica, mas não no Expresso.



Ver


1.Factos

A privatização da gestão dos aeroportos regionais da Grécia é uma das condições impostas pelos credores para o segundo resgate à Grécia no valor de €245 mil milhões.

Em Novembro de 2014 e em concorrência internacional, a Fraport AG e o seu parceiro grego minoritário Slentel do grupo Copelouzos, são escolhidos como investidor preferido para gerir 14 aeroportos regionais da Grécia durante 40 anos. A Fraport AG pagará €1.234 milhões no fecho do contrato então previsto para o outono de 2015 – segundo o Financial Times, é mais do dobro da oferta do segundo classificado.

No início de de 2015, o novo governo grego anuncia o congelamento do programa de privatizações, que era uma das condições do regate de €245 mil milhões. A Reuters fala de “desafio aos credores internacionais”.

No âmbito das negociações do que virá a ser o terceiro resgate, em Maio de 2015, o governo grego anuncia que vai continuar os esforços para privatizar o operador do porto de Pireu e os 14 aeroportos regionais. A Bloomberg fala de concessão aos credores. É um claro recuo do governo grego em relação a promessas eleitorais.

A 18 de Agosto, o governo grego confirma a privatização da gestão dos 14 aeroportos regionais ao consórcio. As negociações ainda não estão fechadas e devem prolongar-se para além de 31 de Dezembro. A decisão do governo grego não é pacífica e enfrenta críticas.

2.Comentário

Não quero ler no Expresso
-“uma empresa do País de Angela Merkel” que “vai mandar” nos aeroportos ou “são os alemães que no próximo meio século” ou “aeroportos que passam para as mãos dos alemães”.

Não aceito que uma tirada como “Ironia do destino, ou simples dramaturgia do capitalismo internacional, são alemães os novos concessionários de 14 aeroportos gregos” apenas resulte de falta de pesquiza sobre a relação entre a Grécia e os credores.

Não é verdade que “O consórcio Fraport-Slentel detém a gestão de vários aeroportos em todo o mundo, entre eles o de Frankfurt” – é a Fraport AG que a detém e o consórcio vencedor é entre esta empresa e o parceiro minoritário Slentel do grupo grego Copelouzos.


A Bem da Nação

Lisboa 19 de Agosto de 2015


Sérgio Palma Brito

sábado, 15 de agosto de 2015

O Crescimento do PIB, o Partido Socialista e a pirotecnia

Pela voz do seu secretário nacional João Galamba, o Partido Socialista veio a público diminuir os números do crescimento do PIB, recentemente divulgados pelo INE e Eurostat. Discordo do alinhar do Partido Socialista pelo lamiré dos mais radicais de entre dos seus dirigentes. Entendo ser meu dever de militante socialista afirmar uma opinião crítica sobre as opiniões expressas. Como sempre, estou disponível para debater e, citando de cor, não recear o erro por estar sempre disposta a reconhecê-lo.

1.Factos

A “estimativa rápida das contas nacionais” do INE informa que

-o Produto Interno Bruto aumentou 1,5% em volume no 2º trimestre de 2015,

-o aumento resulta da procura interna por via da aceleração do Investimento (sobretudo Variação de Existências) e, em menor grau, do consumo privado.

O Eurostat informa que durante o mesmo período

-o PIB cresceu 1,2% na zona euro e 1,6% na União Europeia (a 28),

-Belgica (1,3%), França (1,0%), Austria (0,6%) e Finlândia (-1,0%)crescem menos,

-Alemanha (1,6%), Espanha (3,1%) e Holanda (2,0%) crescem mais.


2.O Partido Socialista perante os resultados positivos da Economia

É inegável que Portugal

-tem feito progressos no PIB, Exportações e equilíbrio dos pagamentos com o exterior,

-desmentiu as previsões de “espiral recessiva do PIB”, inevitável 2º resgate, Programa Cautelar, bolha artificial no crescimento das exportações.

Por muito que factores externos tenham ajudado, estes resultados são fruto do trabalho e sacrifícios dos Portugueses e, por muito pouco que possa ser, fruto da politica do governo (cujos custos sociais não podem ser ignorados, mas estão fora do âmbito deste post).

O Partido Socialista tem vindo a lidar mal com o reconhecer desta realidade, chegando ao ponto de a atribuir apenas a factores externos e ignorar o trabalho e sacrifícios dos Portugueses.

Ao lidar mal com esta realidade, o PS não entende que

-ofende o bom senso dos portugueses que não são fieis seguidores da linha pura e dura do partido,

-mina a credibilidade que conquistou com a mobilização dos economistas.


3.A posição do PS perante os números do INE e Eurostat

João Galamba assume posições e tem um estilo de que muitos gostam. Eu não gosto, como não gosto nada de ver JG no Secretariado do PS, mas não é a minha avaliação de JG que está em causa.

O importante é

-eu discordar que a voz pública do Partido Socialista se identifique com as posições de JG e o seu estilo.

Se me dou ao trabalho de redigir este post, é pelo PS, porque ainda não acredito e espero não vir a acreditar que

-as afirmações de JG (ver a seguir) tenham sido consensualizadas com economistas qualificados da área do PS e a posição formal e definitiva do PS seja esta.


4.Análise crítica da posição do PS sobre o crescimento do PIB

1.Afirma JG: "Os valores encontram-se no patamar inferior de todas as previsões" e os números "estão aquém das estimativas do Governo para todo o ano".

De facto, havia previsões mais optimistas: Universidade Católica (1,7%) e BPI (1,6%). JG dá-lhes destaque, apesar da diferença mínima, e omite factos relevados pela imprensa de referência:

-segundo o Jornal de Negócios,A economia portuguesa cresceu 1,5% no segundo trimestre de 2015, em linha com as expectativas dos economistas dos bancos”,

-segundo o Expresso, economistas de BCP, Santander e BPI consideram que a meta do governo de 1.6% de crescimento do PIB em 2015 “deverá ser alcançada” e o valor final “pode até sair um pouco acima desse valor, embora abaixo de 2%”.

2.Ainda JG: "Numa altura em que a Europa acelera o seu crescimento, sobretudo Espanha que quase duplica o seu crescimento e cresce a 3%, a Grécia cresce a 1,4%, todos os países da convergência aceleram o seu crescimento e em que os países do Leste da Europa aceleram o seu crescimento, Portugal é o único país de todos estes que mantém o crescimento inferior".

Já não chega que o PIB de Portugal cresça mais do que o da Bélgica, França, Áustria e Finlândia e mais do que o da zona euro pelo segundo trimestre consecutivo. Portugal teria de crescer como os leaders do crescimento na UE28. 

Não partilho o entusiasmo de JG sobre a “aceleração do crescimento” em alguns desses países, apenas lembro que a economia de Espanha tem muito maior potência do que a de Portugal.

3.sobre o governo dar prioridade à procura externa (exportações menos importações) e "O que o INE vem dizer é que aconteceu exactamente oposto, é a procura interna que cresce e o comércio externo pesa negativamente com uma deterioração significativa do nosso saldo comercial".

Primeiro ponto. O crescimento resulta da “aceleração do Investimento” (pela Variação de Existências) e “em menor grau, do consumo privado.”. 

Segundo o Expresso, Teresa Gil Pinheiro do BPI remata com outra nota positiva:

-“Os dados até agora conhecidos indiciam que o crescimento das importações está relacionado com o aumento do investimento, o que a confirmar-se, é um factor de suporte para o crescimento futuro da economia”.

Segundo ponto. João Galamba destaca a “deterioração significativa do nosso saldo comercial" e

-não considera a componente deste saldo destacada por Teresa Gil Pinheiro,

-omite o aumento sustentado das exportações, apesar do efeito Angola e Brasil, desvalorizando um progresso que faz parte do acervo do País.

Simples!


A Bem da Nação

Lisboa 15 de Setembro de 2015

Sérgio Palma Brito